Filhos adotivos apresentam, em média, um pouco mais de problemas de comportamento do que crianças não adotadas, e a diferença é pequena na maioria dos estudos. Uma meta-análise publicada na JAMA em 2005 concluiu que a maior parte dos adotados internacionais tem bom ajustamento, embora seja encaminhada com mais frequência a serviços de saúde mental.

A adoção reúne famílias muito diferentes, com crianças que chegam em idades distintas e com histórias de cuidado anteriores variadas. Por isso, falar em problemas com filhos adotivos exige separar o que a pesquisa mede do que o senso comum supõe. O dado mais consistente da literatura ajuda a calibrar a expectativa dos pais sem alarme.

O que a meta-análise da JAMA encontrou

Diferença pequena no comportamento, grande no uso de serviços

Femmie Juffer e Marinus van IJzendoorn, da Universidade de Leiden, reuniram 64 artigos sobre problemas de comportamento e 34 sobre encaminhamento a serviços de saúde mental. A amostra somou 25.281 adotados e 80.260 crianças não adotadas. Adotados, dentro e entre países, apresentaram mais problemas de comportamento, com tamanho de efeito pequeno, entre 0,16 e 0,24.

Tamanho de efeito é a medida do quanto dois grupos diferem na prática. Valores próximos de 0,2 indicam diferença discreta. O encaminhamento a serviços de saúde mental teve efeito grande, de 0,72, o que significa que adotados estavam bem mais representados nesses serviços. A diferença entre problemas observados e atendimento sugere que outros fatores, como a disposição das famílias para buscar ajuda, podem participar, hipótese que exigiria investigação própria.

Adoção internacional, adoção nacional e adversidade anterior

Entre 15.790 adotados internacionais e 30.450 controles, os adotados internacionais apresentaram mais problemas que os não adotados, porém com efeitos ainda menores, entre 0,07 e 0,11. Em comparação com adotados dentro do próprio país, os internacionais mostraram menos problemas totais, externalizantes e internalizantes. O encaminhamento a serviços de saúde mental também foi menor, 0,37 contra 0,81.

Entre os adotados internacionais, os que enfrentaram adversidade antes da adoção tiveram mais problemas totais e externalizantes do que os sem evidência de privação extrema. Problemas externalizantes são aqueles voltados ao exterior, como agressividade e desobediência. Os autores concluem que a maioria dos adotados internacionais se ajusta bem.

O papel da família e do acompanhamento psicológico

Sinais que merecem atenção

Comportamento agressivo persistente, dificuldade intensa de vínculo, tristeza prolongada, queda escolar sem explicação e alterações marcantes de sono ou de apetite justificam avaliação. Esses sinais também ocorrem em crianças não adotadas, e a presença de um deles isoladamente não indica transtorno. O diagnóstico em saúde mental depende de avaliação multifatorial, com entrevistas, observação e informações da escola e da família.

Orientação parental e psicoterapia

Pais adotivos podem se beneficiar de orientação com psicólogo, que ajuda a compreender a história da criança e a ajustar a rotina familiar. A psicoterapia da criança acontece com profissional habilitado para esse público. Em ambos os casos, convém verificar o registro ativo no Conselho Regional de Psicologia, consultável no site do CFP.

Para famílias que desejam apoio profissional, é possível conhecer os psicólogos disponíveis para atendimento online.

O que as famílias adotivas costumam querer saber

O que a meta-análise da JAMA concluiu sobre filhos adotivos?

Uma meta-análise publicada na JAMA em 2005, de Femmie Juffer e Marinus van IJzendoorn, concluiu que a maior parte dos adotados internacionais tem bom ajustamento, embora seja encaminhada com mais frequência a serviços de saúde mental. A amostra somou 25.281 adotados e 80.260 crianças não adotadas.

Qual o tamanho da diferença de comportamento entre adotados e não adotados?

Os adotados apresentaram mais problemas de comportamento, com tamanho de efeito pequeno, entre 0,16 e 0,24. Tamanho de efeito mede o quanto dois grupos diferem na prática, e valores próximos de 0,2 indicam diferença discreta. Já o encaminhamento a serviços de saúde mental teve efeito grande, de 0,72.

Adotados internacionais têm mais dificuldades que os nacionais?

Não. Em comparação com adotados dentro do próprio país, os internacionais mostraram menos problemas totais, externalizantes e internalizantes, e menor encaminhamento a serviços de saúde mental, 0,37 contra 0,81. Frente aos não adotados, os internacionais apresentaram efeitos ainda menores, entre 0,07 e 0,11.

A adversidade antes da adoção influencia o comportamento?

Sim. Entre os adotados internacionais, os que enfrentaram adversidade antes da adoção tiveram mais problemas totais e externalizantes do que os sem evidência de privação extrema. Problemas externalizantes são os voltados ao exterior, como agressividade e desobediência. Ainda assim, os autores concluem que a maioria dos adotados internacionais se ajusta bem.

Que sinais merecem avaliação em um filho adotivo?

Comportamento agressivo persistente, dificuldade intensa de vínculo, tristeza prolongada, queda escolar sem explicação e alterações marcantes de sono ou de apetite justificam avaliação. Esses sinais também ocorrem em crianças não adotadas, e a presença isolada de um deles não indica transtorno. O diagnóstico depende de avaliação multifatorial, com entrevistas e observação.