A autopercepção do envelhecimento afeta a saúde de forma mensurável. Pesquisa da Universidade Yale, conduzida ao longo de duas décadas, associou visão positiva sobre o próprio envelhecer a 7,5 anos a mais de vida, e revisão com estudos de 45 países ligou o etarismo a piores desfechos de saúde na grande maioria dos casos.

A psicóloga Becca Levy, da Universidade Yale, acompanhou 660 moradores de uma pequena cidade de Ohio, todos com cinquenta anos ou mais, por período superior a duas décadas, medindo desde o início do estudo a percepção que cada participante tinha sobre o próprio processo de envelhecer. O resultado, publicado em periódico científico e replicado por trabalhos posteriores da própria pesquisadora, mostrou uma diferença que a maioria das pessoas não esperaria de uma variável tão subjetiva: participantes com autopercepção positiva do envelhecimento viveram, em média, 7,5 anos a mais do que participantes com autopercepção negativa, mesmo depois de descontar idade, gênero, condição socioeconômica, solidão e saúde funcional no início do estudo.

A teoria da incorporação do estereótipo

Levy batizou o mecanismo teórico por trás desse achado de teoria da incorporação do estereótipo. A ideia central é que absorvemos, ainda jovens, estereótipos culturais sobre o que significa envelhecer, e à medida que envelhecemos de fato, internalizamos esses mesmos estereótipos como autopercepção, com efeito mensurável sobre a própria saúde física e mental, de forma consciente e inconsciente. Levy e colega cunharam ainda o termo etarismo implícito para descrever a camada automática, não deliberada, desse processo.

Etarismo e desfechos de saúde em 45 países

Revisão sistemática publicada em 2020, reunindo mais de seiscentos estudos conduzidos em 45 países diferentes e cobrindo onze áreas distintas de saúde, encontrou que o etarismo, entendido como estereótipo e preconceito relacionado à idade, esteve associado a pior desfecho de saúde em 95,5% dos estudos analisados. Outro trabalho da mesma pesquisadora calculou, pela primeira vez, o custo econômico direto do etarismo sobre a saúde da população mais velha nos Estados Unidos, estimado em 63 bilhões de dólares num único ano, considerando o tratamento de condições de saúde agravadas por esse fator.

Efeitos de longo prazo e o mercado de trabalho

O impacto não se limita ao bem-estar subjetivo ou à longevidade. Pesquisa da mesma linha encontrou que pessoas com visão mais positiva sobre o próprio envelhecimento, medida a partir dos sessenta anos, apresentaram mais de 40% menos risco de desenvolver demência ao longo de quatro anos de acompanhamento, comparadas a pessoas com visão mais negativa, mesmo controlando fatores de risco genético conhecidos para a doença de Alzheimer.

O estereótipo no ambiente profissional

Esse conjunto de achados tem implicação direta tanto para o etarismo internalizado quanto para o etarismo estrutural enfrentado no mercado de trabalho, onde profissionais mais velhos costumam relatar dificuldade crescente de recolocação e avaliação mais dura da capacidade de adaptação, apesar de a pesquisa sobre desempenho não confirmar essa suposição de forma consistente. Reconhecer que a própria visão sobre envelhecer carrega, em parte, um estereótipo cultural absorvido, em lugar de um fato objetivo sobre o próprio valor ou capacidade, abre espaço para revisar essa crença com efeito real sobre a saúde. Quando o medo do envelhecimento ou a experiência de preconceito etário já geram sofrimento significativo, vale trabalhar isso com apoio profissional, caminho próximo ao descrito no artigo sobre terapia de autoconhecimento. A Estação Terapia reúne psicólogos brasileiros preparados para esse tipo de conversa, também na modalidade de terapia online para brasileiros no exterior. É possível conhecer os psicólogos disponíveis para atendimento online e entender o formato da primeira sessão.

O que se pergunta sobre a visão de envelhecer

O estudo de Yale encontrou quantos anos de diferença?

A psicóloga Becca Levy acompanhou 660 moradores de uma cidade de Ohio, todos com cinquenta anos ou mais, por mais de duas décadas. Participantes com autopercepção positiva do envelhecimento viveram, em média, 7,5 anos a mais, mesmo depois de descontar idade, gênero, condição socioeconômica, solidão e saúde funcional inicial.

O que é a teoria da incorporação do estereótipo?

Levy batizou assim o mecanismo por trás do achado. A ideia central é que absorvemos, ainda jovens, estereótipos culturais sobre o que significa envelhecer, e, ao envelhecer de fato, internalizamos esses mesmos estereótipos como autopercepção, com efeito mensurável sobre a saúde física e mental, de modo consciente e inconsciente.

O etarismo afeta os desfechos de saúde em escala global?

Uma revisão sistemática de 2020, reunindo mais de seiscentos estudos conduzidos em 45 países e cobrindo onze áreas de saúde, encontrou associação entre etarismo e pior desfecho de saúde em 95,5% dos estudos analisados. Outro trabalho estimou o custo econômico do etarismo sobre a população mais velha nos Estados Unidos em 63 bilhões de dólares num único ano.

A visão sobre envelhecer influencia o risco de demência?

Pesquisa da mesma linha encontrou que pessoas com visão mais positiva sobre o próprio envelhecimento, medida a partir dos sessenta anos, apresentaram mais de 40% menos risco de desenvolver demência ao longo de quatro anos de acompanhamento, comparadas a pessoas com visão mais negativa, mesmo controlando fatores de risco genético para a doença de Alzheimer.

Dá para revisar a própria visão sobre envelhecer?

Reconhecer que a visão sobre envelhecer carrega, em parte, um estereótipo cultural absorvido, em lugar de um fato objetivo sobre o próprio valor, abre espaço para revisar essa crença com efeito real sobre a saúde. Quando o medo do envelhecimento ou o preconceito etário já causam sofrimento, vale trabalhar isso com apoio profissional.